Nov 26 2009

A letra A tem teu nome

DriiiÉ exatamente quando se precisa de atalhos que se percebe que não há atalhos. A insustentável leveza do perder.
Mas é também ali, no meio do exato momento em que você se permite ser fraco, que fica mais forte. Forte como quem chora de medo, como quem sabe que o guarda-chuva não protege os pés da água nem o pescoço do vento, forte como quem sabe pedir ajuda.
Sinto tanto que o fim permeia todos os meios quanto que o começo começa só a partir do momento em que começa a terminar. Olho pro lado e vejo angústia rodeada por um mundo angustiante. Vejo essa vida cachoeira, de solidão em grupo e medo meio adormecido, meio disfarçado: por fora o bonito desconhecido, por dentro o barulho que gera silêncio. Nessas horas me pergunto também se não vale menos o grito do que o fechar de olhos, menos o debater-se no lugar do que o deslocamento imprevisível do se soltar à correnteza.
Me solto então. E espero encontrar com aqueles que gosto lá embaixo. Quem tiver engolido menos água ajuda o outro. Se isso não é amar, do amor me interessa muito pouco.

(de Julio Delmanto, com adaptações)


Nov 23 2009

Borboleta H

Pensando bem

Nada tem sentido
NADA tem sentido
NADA TEM SENTIDO

ENTÃO POR QUE TUDO SINTO?


Nov 17 2009

Natal

Museu 07Retorno à cidade onde ainda se vê estrelas no fim da madrugada
Revejo as ruas largas e vazias de domingo cheias da brisa forte do rio-mar
Entro novamente no meu quarto sem horas onde durmo o sono tranquilo da minha solidão voluntária.

Vens ao meu pensamento
Te disse “até logo” e o quanto te amo?

Descubro que o cheiro do incenso queimado para perfumar a casa
não chega aos pés do café fresco passado todos os dias na hora da chuva.

Sentirei falta do teu sorriso, da tua gargalhada e até do teu choro (que alívio poder ter ficado ao teu lado)
Fecho os olhos e ouço os teus passinhos pela casa. Relembro a boba alegria que despertas em mim.

Algumas coisas são permanentes.


Nov 9 2009

Meu olhar é teu

Crisântemos

Uma vez me falaram de paixão por correspondência de olhares: “quando vi o jeito que me olhavas, senti que ali havia algo de especial”. Nas vezes que nos encontramos nossos olhares pouco se cruzaram. Sim, admito, eu fujo, não encaro, tenho medo do que vou encontrar, tenho medo do que vais ver em mim. Porque não sou assim direta, objetiva, prática e decidida como pareço. Sei que tenho agido assim contigo, mas se me conhecesses de verdade, verias a pessoa chata, egoísta, implicante e confusa que sou, te cansarias das minhas bobagens e me largarias de vez. Por outro lado, do jeito que andamos a coisa também não se sustenta. Eu não sustento. Às vezes acho que não vou me contentar com tão pouco, só que o tão pouco é tão bom que não consigo me livrar de vez disso. Mas o que eu queria mesmo te dizer é que meu olhar no espelho anda bobo, bobo.