Jun 8 2010

Deixa de ser meu espião

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Ontem me senti seguida e vigiada. Todos meus passos calculados e comparados com anteriores. Risadas medidas, avaliadas (seriam verdadeiras?). Mas quem me espionava buscando passos em falso não tinha nada de secreto. Ostensivamente me vigiava. E imitava você. Como pode um detetive interferir com o objeto da investigação? E como podia eu agir naturalmente com você ali me olhando? Não era bem você, sabe? Os olhos eram diferentes, ainda que tivessem o mesmo jeito maroto (desculpa, não tinha outra palavra, bem lembro como a gente odeia essa que remete a grupos de pagode). Mas ele dizia as mesmas palavras que você e tinha o mesmo ritmo no falar. Não era você, mas eu tenho certeza do seu dedo ali no meio. Você treinou o espião. Na verdade o sabotador. Queria me colocar no chão novamente, logo agora que me recupero dos seus olhos marotos, seu sorriso fácil e sua fala encantadora.


Jun 2 2010

Assim

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Você não muda
e eu gosto assim
você gosta assim
quase todo mundo gosta
fim da história.
ah, desculpa, você não gosta?
mas você não muda…


Jun 2 2010

Movimento

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Você
quieto
calmo
assim eu gosto
Contemplo
Sua respiração lenta se intensifica
seu calor me seduz
estimula
fecho os olhos
Tudo é movimento


May 21 2010

Da inquieta esperança

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Bem sabes Tu, Senhor, que o bem melhor é aquele

Que não passa, talvez, de um desejo ilusório.

Nunca me dê o Céu… quero é sonhar com ele

Na inquietação feliz do Purgatório.

 (Mário Quinatana)

Mário Quintana, poeta gaúcho nascido em Alegrete, em 30 de julho de 1906, morreu em 5 de maio de 1994, em Porto Alegre. Trabalhou em vários jornais gaúchos. Traduziu Proust, Conrad, Balzac, e outros autores de importância. Em 1940, lançou a Rua dos Cataventos, seu primeiro livro de poesias. Ao que seguiram Canções (1946), Sapato Florido (1948), O aprendiz de Feiticeiro (1950), Espelho Mágico (1951), Quintanares (1976), Apontamentos de História Sobrenatural (1976), A Vaca eo Hipogrifo (1977), Prosa e Verso (1978), Baú de Espantos (1986), Preparativos de Viagem (1987), além de varias antologias.

Mais em: http://www.revista.agulha.nom.br/quinta1.html#dainquieta

Figura daqui: http://www.lenawolff.com/


May 17 2010

Antes do amanhecer

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Daydream delusion
Limousine Eyelash
Oh, baby with your pretty face
Drop a tear in my wineglass
Look at those big eyes
See what you mean to me
Sweet cakes and milkshakes
I am a delusion angel
I am a fantasy parade
I want you to know what I think
Don’t want you to guess anymore
You have no idea where I came from
We have no idea where we’re going
Launched in life
Like branches in the river
Flowing downstream
Caught in the current
I’ll carry you. You’ll carry me
That’s how it could be
Don’t you know me?
Don’t you know me by now?

 Do filme “Antes do amanhecer”, um dos meus preferidos.

Sinopse:

Jesse (Ethan Hawke), um jovem americano, e Celine (Julie Delpy), uma estudante francesa, se encontram casualmente no trem para Viena e logo começam a conversar. Ele a convence a desembarcar em Viena e gradativamente vão se envolvendo em uma paixão crescente. Mas existe uma verdade inevitável: no dia seguinte ela irá para Paris e ele voltará ao Estados Unidos. Com isso, resta aos dois apaixonados aproveitar o máximo o pouco tempo que lhes resta.


Apr 30 2010

Silêncio

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O silêncio não me incomoda
Aqui dentro sempre faz barulho


Apr 29 2010

Eita

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Daqui: http://quevibe.tumblr.com/page/2


Apr 28 2010

Passarinhos

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Lindos, leves
Frágeis
Finos, cantantes
Pequeninos
Naturais, verdadeiros
Meus meninos
Que Deus os proteja
do sol forte, das intempéries
e de todos os males
Que estejam sempre prontos a voar
com suas asas brilhantes
a enfeitar meu horizonte


Apr 20 2010

Vamos brincar de poesia?

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Convite

Poesia
é brincar com palavras
como se brinca
com bola, papagaio, pião.

Só que
bola, papagaio,pião
de tanto brincar
se gastam.

As palavras não:
quanto mais se brinca
com elas
mais novas ficam.

Como a água do rio
que é água sempre nova.

Como cada dia
que é sempre um novo dia.

(José Paulo Paes)

José Paulo Paes nasceu em Taquaritinga SP, em 1926. Estudou química industrial em Curitiba, onde iniciou sua atividade literária colaborando na revista Joaquim, dirigida por Dalton Trevisan. De volta a São Paulo trabalhou em um laboratório farmacêutico e numa editora.
“Na poesia como na vida, José Paulo Paes optou sempre pela discrição e o comedimento de quem desconfia das exaltações visionárias e das certezas inabaláveis. Ao seu primeiro livro deu o título de O aluno. Seu último poema, escrito na véspera da morte, chama-se “Dúvida”. Ser poeta para ele era um modo de continuar até o fim sua busca de aprendiz. Em vez da retórica elevada, José Paulo adotou o tom menor do bom humor e da observação tão concisa quanto arguta” Rodrigo Naves


Apr 16 2010

Por uma alma mais delicada

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Na ânsia de uma reviravolta na vida, troquei os pés pelas mãos e chutei quem eu deveria abraçar.

*****

Há um fantasma me perseguindo
Não sei seu nome
nem quando, onde e como morreu
Nem mesmo tenho certeza que ele está me rondando
Às vezes parece que está dentro de mim
Toma meu corpo e me faz agir assim

Pensando melhor, deve ser um espírito de porco…